Apático, incapaz de achar motivo ou vontade para fazer algo, já há algum tempo com a mesma melancólica e aparentemente eterna sensação de vazio. Não conseguia pensar em outra coisa, nada o distraía ou fazia esquecer desse objetivo, que se tornara agora obsessivo. Não há nada que outro alguém possa fazer, e a necessidade de um fim era agora doentia.
Uma resposta. Uma palavra. Mas o medo de ouvir o contrário do esperado e a incoerente incapacidade de desistir disso e seguir em frente criava racionalizações para adiar a inevitável pergunta, e as incontáveis tentativas de ter pistas sobre a certeza de consegui-la fazia a frustração ser cada vez maior.
A cada reação esperada, um sorriso começava a aparecer, e quando a confiança já era suficiente, a felicidade nao durava muito, logo que algo fazia voltar a confusão, e novamente tudo parecia não ter sentido. De onde vem essa obsessão? Por que nada mais, além das lembranças, e da agora quase inexistente esperança de o futuro ser igual ao passado e o presente apagado parece ser… feliz?
Sendo influenciado e movido por atos, palavras e demonstrações de amor ou indiferença de outra parte, já não mais tratada como outra, nem como parte, e sim como o todo, a única coisa que trás a vontade de continuar tentando, e consegue as vezes criar algo bom, é a imaginação, e o desejo de que algum dia ela deixe de ser.
“There’s still a little bit of your taste in my mouth”
Cannonball, Damien Rice
Escrito por Carlos Gois