Dispensa da crença, suspensão da descrença

Já há algumas horas rolando no chão frio, que agora era sua cama, tentando não pensar em nada, levantou -se. Não conseguia mais ficar parado, não queria mais remoer fatos, tentando achar explicações, mas o lugar estava carregado de lembranças que levavam a perguntas sem resposta. Ultimamente sentia-se assim em qualquer lugar, com qualquer companhia, em qualquer estado. Mas tentando sempre esconder o que estava acontecendo, conseguia quase sempre fugir das conversas emocionais que sempre o incomodaram, e que agora evitaria a qualquer custo.

Crença antiga, que agora ficara no passado. Se antes não tinha certeza, agora, depois de tantos pedidos não atendidos, perguntas sem resposta, e incontáveis promessas não cumpridas por nenhuma das partes, a certeza de que nada existia, existia.

O última coisa que o mantinha próximo disso não fazia mais sentido, então desamarrou os nós dados com carinho tempos antes, e, mesmo com uma resistência a esse ato, queimou a corrente, e então as imagens até a metade, que depois foram guardadas e carregadas à todo lugar, talvez por vestígio de esperança. Mas a espera foi longa, longa demais, e saber que tanto tempo fora desperdiçado enganando a si mesmo, por ter se deixado antes enganar por outros criava agora uma frustração maior que tudo.

Colocou o tênis que mais machucava seu pé, uma blusa grossa, as duas imagens no bolso direito, e saiu caminhando sem rumo, até parar acidentalmente na frente de uma igreja, vista antes muitas vezes, mas que agora tinha, dentro dele, um sentido completamente diferente, ou melhor, uma total falta de sentido. Sentou na entrada, acendeu um cigarro, e brincava com as duas pequenas peças quando atrás dele um senhor apareceu. De roupa preta, perceptivelmente velho, com ar de sabedoria, e como se pudesse sentir o que estava acontecendo, perguntou, estendendo a mão: “Acabou?”. O rapaz deu uma ultima olhada para sua mão, e então entregou o que tinha, sem dizer uma palavra. “Você virá aqui para pegar isso de volta”, ouviu quando já estava de costas.

“And all those words that you don’t say just mean less and less each day”

Don’t, Blink 182

7 Respostas para “Dispensa da crença, suspensão da descrença”

  1. Joseh Disse:

    Seus textos sao mto bons e profundos…
    continue assim campeao ;D

  2. Vih Disse:

    carliinhos, adorei o texto, vc é lindo!
    bgos! :*

  3. Leonardo Disse:

    Tocante!

  4. taaaki Disse:

    sÓ paSsEi pRa dEixaR uM bEiJoXxx
    sEu bLog Tá sHow

  5. Carlos Disse:

    OHAEOHAE _|_

  6. Nhenha Disse:

    dormiu na rua migs?

  7. Stephanie Disse:

    “real emo esse blog hein”

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