Eu lembro, lembro de muito, acho que demais, até do que queria não lembrar mais. Lembro do que importa, do que muda, do que motiva, do que me entorta. Também lembro do que me traz de volta, como aquele chute que quebrou o espelho quando me arrependi de ter sido tão idiota. Eternas, algumas boas, algumas ruins, e algumas indecisas, mas irrefutavelmente importantes lembranças.
Não esquecerei da única pessoa que me ensinou a amar, e depois a me odiar, e nem do que me ensinou que para receber é preciso se entregar. Aquela primeira viagem sozinho, que ilógicamente me fez sentir bem acompanhado, diferente da primeira, de muitas vezes, que mesmo entre amigos, me senti terrivelmente sozinho, mas que depois me fez perceber que era com eles, que mesmo mal, eu queria estar.
A primeira promessa que fiz, chorando, foi a de não mais chorar, e descobri que as vezes é impossível se controlar, como fiz daquela vez, que jurando que não ia me deixar influenciar, deixei-me, e fiz a coisa certa.
Hoje eu tentei achar soluções pra esquecer coisas que eu gostaria de não ter descoberto, e agora eu sei que nem eu sou tão esperto. Dizem que mesmo experiências ruins trazem significativas lições, mas eu preferia cotinuar ignorante, a ter descoberto o quão rápido pessoas queridas e coisas boas podem ser perdidas. Para sempre. Impotência de mudar o passado e fazer o futuro, que mesmo aceitas me impedem de desistir do que procuro.
O susto bem dado, a piada inoportuna que me fez virar a própria, os programas de última hora que renderam ótimas histórias. O ir contra a vontade, fazendo o que parecia maldade, para só então perceber que o que parece ruim pode ser bom, e que às vezes mudar de idéia é a melhor opção.
Rio daquele pulo de barriga no rio, que era quase mais raso que uma poça d’água, daquela vez que, mesmo sem saber dançar, fiz todo mundo me copiar, e de quando mesmo sem saber cantar fiz uma multidão de cinco pessoas me acompanhar. Já cheguei a achar que nunca falaria ‘eu te amo’, e que toda vez que ouvisse isso fosse ser indiferente, mas o inesperado acontece, e é o que eu espero em recentes fatos que me dizem que nem tudo pode ser como eu quero, e que marcas que pessoas deixam não podem ser apagadas com outra, ou outras.
E agora eu fixo meu olhar na xícara de hoje, ainda cheia de café frio, misturado com as lágrimas de um dia vazio, que me fez acreditar que agora eu já não tenho mais nada a perder, e que vai passar, e virar lembrança.
“I can see forever all these things, they are obvious to me”
Change Is All The Rage, Knapsack
Escrito por Carlos Gois
Escrito por Carlos Gois
Escrito por Carlos Gois